Em torno de dois bilhões de pessoas no mundo apresentam excesso de peso, sendo mais da metade da população. Esse distúrbio alimentar acomete cada vez mais crianças e adolescentes e, por mais que seja uma doença multifatorial, existe uma forte relação do ambiente obesogênico para a mudança de hábitos alimentares. No Brasil, uma em cada cinco pessoas consome doces mais de cinco vezes por semana, sendo que aproximadamente 7,4% da população adulta já apresenta diagnóstico de diabetes, segundo o Ministério da Saúde. A obesidade na infância relaciona-se à sua persistência na vida adulta, promovendo diversos tipos de comorbidades, principalmente, dislipidemias, hipertensão arterial sistêmica, problemas psicossociais e alterações no metabolismo da glicose e síndrome metabólica (SM), com isso, prejudicando o desenvolvimento.

Estimativas demonstram que, nos Estados Unidos, a SM já afeta 4,2% dos adolescentes entre 12 e 16 anos de idade. Diante disso, o rigoroso monitoramento e tratamento adequado para mudanças de hábitos alimentares a esse público é primordial. A modulação de indicadores metabólicos deve ser aliada à redução do peso corporal.

Os edulcorantes artificiais são amplamente utilizados para substituir o açúcar de bebidas industrializadas como estratégia para diminuir a ingestão calórica. Uma meta-análise recente teve como objetivo avaliar a associação entre o consumo de sucos e refrigerantes adoçados com açúcar e adoçantes artificiais com a prevalência de obesidade. De acordo com os onze estudos levantados, houve uma associação positiva de índices de risco combinados da obesidade em pacientes que consumiam bebidas açucaradas, e, em segundo lugar, com bebidas adoçadas com edulcorantes artificiais. Assim, aumenta-se a conscientização sobre o impacto clínico do açúcar presente em bebidas, comumente, consumidas por crianças, e o risco maior para obesidade.

A ingestão de açúcar de forma excessiva pode modificar a expressão gênica, de maneira a alterar os circuitos nervosos de fome e saciedade. Um estudo preliminar mostrou que pessoas obesas apresentam uma deficiência na atividade celular da dopamina, bem como na sua produção. A baixa atividade desse neurotransmissor leva a disfunções nas respostas de saciedade, desse modo, aumentando a necessidade em consumir mais alimentos, principalmente, adoçados.

O cuidado com a introdução alimentar de crianças em relação ao açúcar deve ser redobrado, evitando-se, desde o início, o vício com essa substância, que prejudica a saúde em geral quando consumida em excesso.

REFERÊNCIAS

BRASIL – Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome metabólica – ABESO. Diretrizes Brasileira de Obesidade. 4 ed. São Paulo: ABESO, 2016. Disponível em: <http://www.abeso.org.br/uploads/downloads/92/57fccc403e5da.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2017.

BRASIL – Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome metabólica – ABESO. Mapa da obesidade, 2017. Disponível em: <http://www.abeso.org.br/atitude-saudavel/mapa-obesidade>. Acesso em: 03 mar. 2017.

FEFERBAUM, R. de. Fluid intake patterns: an epidemiological study among children and adolescents in Brazil. BMC Public Health, v.12, p.1005, 2012.  

NAVES, A. Nutrição Clínica Funcional: Obesidade. São Paulo: Valeria Paschoal, 2009.

RUANPENG, D. Sugar and artificially sweetened beverages linked to obesity: a systematic review and meta-analysis. QJM: An International Journal of Medicine, v. 0, n. 0, p. 1-8, 2017.