O extremismo e terrorismo nutricional que acontecem, atualmente, na alimentação das pessoas, têm provocado uma série de mudanças, incluindo a exclusão de determinados alimentos do dia a dia. O suco de laranja é o principal alvo cortado de dietas de emagrecimento. Muitos acreditam que a presença de carboidratos, particularmente, a frutose, interfere negativamente no controle do peso e no desenvolvimento de certas patologias.

Estudos recentes mostram o contrário do que se escuta sobre o impacto do consumo dessa bebida. O estresse oxidativo e a inflamação desempenham papel influenciador na fisiopatologia da resistência à insulina, diabetes e doenças cardiovasculares. Uma só refeição com alto teor de gordura e de carboidratos é capaz de induzir aumento nos marcadores de estresses inflamatório e oxidativo nas células mononucleares do sangue. Uma pesquisa demonstrou que o suco de laranja pasteurizado foi capaz de prevenir essa resposta inflamatória.

Outro estudo, randomizado, duplo-cego e realizado ao longo de dois períodos de 12 semanas, evidenciou efeitos sobre o sistema de defesa antioxidante enzimáticos e não enzimáticos, os níveis de biomarcadores de estresse oxidativo urinário e plasmático e sinais clínicos de síndrome metabólica, antes e após uma intervenção com sumos de laranja com alta concentração de polifenóis. Os resultados mostraram que o consumo dessa bebida contribui na proteção dos danos ao DNA e peroxidação lipídica, modificando diversas enzimas antioxidantes e auxiliando na redução de peso corporal em adultos. E isso pode ser explicado por conta do alto teor de flavanonas no suco, bem como de outros flavonoides e fitoquímicos ainda pouco estudados.

Os flavonoides são compostos fenólicos encontrados em frutas, vegetais e bebidas derivadas de plantas. São potentes antioxidantes com propriedades farmacológicas antitrombóticas, antifibróticas e anti-inflamatórias. Em particular, o suco de laranja contém glicosídeos de flavanona (hesperidina e narirutina), subgrupo  presente, mormente, nas partes sólidas de frutas.

REFERÊNCIAS

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APTEKMANN, N.; CESAR, T.  Long-term orange juice consumption is associated with low LDL-cholesterol and apolipoprotein B in normal and moderately hypercholesterolemic subjects. Lipids in Health and Disease, v, 12, n. 119, p. 2-10, 2013.

CHAVES, F. et al. Proteomic Analysis of Peripheral Blood Mononuclear Cells after a High-Fat, High-Carbohydrate Meal with Orange Juice. J Proteome Res., v. 16, n. 11, p. 4086-4092, nov. 2017.

RANGEL-HUERTA, O. et al. Normal or High Polyphenol Concentration in Orange Juice Affects Antioxidant Activity, Blood Pressure, and Body Weight in Obese or Overweight Adults. The Journal of Nutrition Nutrition and Disease, v. 145, n. 8, p. 1808-16, ago. 2015.