O consumo alimentar, ao longo do tempo, tem sido influenciado por normas e costumes que, por tentativa e erro, promovem o desenvolvimento do “saber nutricional”. E, com isso, uma mudança significativa é observada no padrão alimentar da maioria das pessoas nos últimos anos. Considerar que os hábitos da população precisam ser alterados é um grande desafio para as políticas públicas e a educação em nutrição, pois as estratégias envolvem comportamentos.

No Brasil, as primeiras intervenções no campo da alimentação ocorreram em 1940, mediante programas que associavam a distribuição de alimentos e as ações de caráter educativo para ampliar e divulgar as informações adequadamente.

Psicologia e nutrição são áreas que inevitavelmente se unem no contexto da saúde pública, principalmente, quando se trata em obesidade. A prevalência mundial da obesidade, seus efeitos decorrentes e os custos crescentes que as doenças associadas trazem para os serviços de saúde classificam-na, atualmente, como patologia prioritária para estudos científicos.

Em torno de 95% dos obesos que seguem dieta para emagrecer, fracassam na fase de manutenção do peso. Paralelamente, a incidência da obesidade aumenta mundialmente e as atuais estratégias nutricionais não estão sendo suficientes para mudar os comportamentos alimentares desses pacientes. Os programas de intervenção nem sempre alcançam sucesso. Dentre outros motivos, destaca-se a compreensão insuficiente da relação entre o tratamento nutricional e a adesão e entendimento do paciente.

A Nutrição Comportamental baseia-se em trazer de volta a relação que as pessoas devem ter com a comida, buscando evitar a sensação de culpa ou de outros sentimentos negativos que contribuem para a dificuldade de perda de peso. É um método que se ampara de evidências científicas.

Um estudo publicado no periódico Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics mostrou o alto grau de sucesso em 20 programas nutricionais baseados na perda de peso associada à capacidade de identificar os sinais internos de fome e saciedade, com significativa melhora nos hábitos alimentares e na autoestima. Os programas avaliavam a dieta associada à atividade física isolada ou dieta e exercícios com intervenção de comportamento baseados em autoavaliação dos sinais emocionais e fisiológicos e o vínculo com o alimento.

REFERÊNCIAS

CAVALCANTI, A.; DIAS, M.; COSTA, M. Psicologia e nutrição: predizendo a intenção comportamental de aderir a dietas de redução de peso entre obesos de baixa renda. Estudos de Psicologia, v. 10, n. 1, p, 121-129, 2005.
CERVATO-MANCUSO, A. et al. Educação Alimentar e Nutricional como prática de intervenção: reflexão e possibilidades de fortalecimento. Physis Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 26, n. 1, p. 225-249, 2016.
JOHNS D., J. et al. Diet or Exercise Interventions vs Combined Behavioral Weight Management Programs: A Systematic Review and Meta-Analysis of Direct ComparisonsJournal of the Academy of Nutrition and Dietetics., v. 114, n. 10, p. 1557-1568, 2014.