O Brasil tem passado por processos de transição demográfica, epidemiológica e nutricional nas últimas décadas. Essas mudanças produziram, e ainda produzem, importantes efeitos no perfil de doenças, com um aumento significativo da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, especialmente o Diabetes Mellitus (DM). Por conta disso, a indústria precisou adaptar-se, formulando produtos isentos de sacarose para atender essa demanda, os chamados produtos dietéticos. Até a década de 80, esses itens eram regulamentados como drogas, sendo consumidos apenas por portadores de DM ou de outras doenças que tivessem a necessidade de controlar a ingestão de sacarose. Entretanto, a situação mudou com a reclassificação dos adoçantes para edulcorantes, tendo seu uso estendido para a população em geral. Os adoçantes são divididos em sintéticos, produzidos em laboratórios, e naturais, que são extraídos de plantas e vegetais.

Dentre os adoçantes naturais, destaca-se a stevia rebaudiana, popularmente conhecida como estévia e advinda de uma planta chamada S. rebaudiana. Os extratos das folhas dessa planta são fontes de compostos bioativos, como diterpenos, triterpenos, estigmasterol, taninos e glicosídeos de esteviol: esteviosídeos e rebaudiosídeos A, B, C, D e E. No entanto, em um estudo realizado em Ribeirão Preto constatou-se que 76,7% dos participantes relataram a baixa utilização desse produto por conta do seu sabor desagradável e residual. Ao avaliar os componentes encontrados nesse adoçante, destacou-se o rebaudiosídeo A que, dentre os glicosídeos de esteviol, é o que apresenta maior poder em adoçar e baixo aspecto residual, uma alternativa que pode ser utilizada pela indústria alimentícia a fim de melhorar a palatabilidade dos alimentos dietéticos concomitantemente à promoção de benefícios para a saúde.

Os alimentos que contêm estévia com alto teor de rebaudiosídeo podem ser uma forma eficaz de reduzir calorias sem comprometer o sabor adocicado que os consumidores tanto apreciam.  É uma boa opção para pessoas com DM, por sua capacidade em aumentar a sensibilidade à insulina, além de auxiliar na prevenção de cáries, inibindo de forma significativa o desenvolvimento de placas bacterianas e inflamações periodontais.

 

REFERÊNCIAS
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