Uma pesquisa realizada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sobre o consumo de frutas e hortaliças mostrou que apenas 18,2% dos brasileiros ingerem a quantidade de frutas recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de aproximadamente 400 gramas por dia. Outro dado da pesquisa é que o gasto médio dessa população com a aquisição de frutas, legumes e verduras é de apenas 6,2% de sua renda. Associada a esse cenário da composição da alimentação dos brasileiros observa-se, a transição epidemiológica acentuada e impactante, uma vez que as principais doenças que atualmente acometem os brasileiros deixaram de ser agudas e passaram a ser crônicas, além de que, mesmo diante da intensa redução da desnutrição em crianças, as deficiências de micronutrientes ainda são prevalentes em grupos vulneráveis da população. Simultaneamente, o Brasil vem enfrentando aumento expressivo do sobrepeso e da obesidade em todas as faixas etárias.

O consumo insuficiente de frutas, legumes e verduras está entre os dez principais fatores de risco para a carga total global de doenças crônicas. Isso porque esses alimentos são importantes na composição de uma dieta equilibrada, por serem fontes de micronutrientes, fibras e outros componentes com propriedades funcionais. Atualmente, observa-se a redução do consumo de frutas significativamente por conta de informação incoerente de que esses alimentos podem impactar no emagrecimento, devido à presença de frutose. Diante disso, a população vem associando o consumo de carboidratos da fruta com o aumento da gordura corporal. Diferentemente da frutose sintética utilizada para adoçar produtos industrializados, a frutose natural presente na fruta não provoca danos metabólicos e nem impacta no gerenciamento do peso, já que a fruta possui, em sua composição, além de diversas vitaminas e minerais, as fibras que controlam a absorção desse carboidrato.

De acordo com o Guia Alimentar para a população brasileira (2014), é de extrema importância que a base da alimentação seja por alimentos in natura, como frutas e legumes, ou minimamente processados. Esses alimentos em grande variedade e predominantemente de origem vegetal devem ser empregados no dia a dia, por diversas questões sociais, ambientais e de saúde. As composições de nutrientes encontradas nas frutas são abundantes, sendo que cada uma apresenta um composto bioativo específico que atuará em diversos mecanismos fisiológicos, principal motivo para atribuir seu consumo diário.

 

REFERÊNCIAS
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BRASIL. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a população brasileira. 2 ed. Brasília: 2014. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf>. Acesso em: 31 jan. 2017.
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