Afirma-se que as tendências de transição nutricional, nos últimos anos, convergem para uma dieta rica em gorduras saturadas, açúcares e alimentos refinados com baixo teor de fibras, vitaminas e minerais. Diante deste atual cenário, a ampla divulgação da mídia, no que se diz respeito à alimentação e saúde, tem levado a uma maior preocupação da sociedade com os hábitos alimentares.

Os alimentos funcionais são reconhecidos, pela ANVISA, de acordo com sua alegação de propriedade benéfica frente ao papel metabólico ou fisiológico que o nutriente ou composto principal exerce no organismo. O chá-verde, obtido da planta Camellia sinensis, pertence à lista desses alimentos. Consumido no mundo todo, sua composição química é complexa e, entre seus constituintes, destacam-se proteínas, aminoácidos (teanina, ácido glutâmico, triptofano e glicina), vitaminas e, principalmente, os fitoquímicos com potente ação antioxidante, como antocianinas e epigalocatequinas.

Os efeitos do consumo de chá-verde, sobre parâmetros antropométricos e bioquímicos de pacientes, foram investigados em um ensaio clínico randomizado. A amostra incluiu 63 pacientes com diabetes tipo 2, divididos entre 30 homens e 33 mulheres. Após um período de duas semanas sem o chá, foram distribuídos casualmente em três grupos, um com consumo de quatro xícaras diárias, outro com duas e um com a bebida placebo. No início e após a intervenção, realizaram-se análises de sangue, variáveis ​​dietéticas e antropométricas foram avaliadas. Os pacientes foram instruídos a manter sua ingestão dietética usual e atividade física normal. Os resultados sugeriram que a utilização de quatro xícaras de chá-verde por dia foi capaz de diminuir o peso corporal, a circunferência da cintura, a pressão arterial sistólica desses indivíduos, principalmente, por conta da maior quantidade de epigalocatequinas nessa concentração de bebida.

As catequinas são compostos bioativos que promovem a diminuição da gordura corporal e podem inibir o crescimento de células neoplásicas, principalmente, por induzir a apoptose. O estudo realizado por Lin et al. (2005), a fim de verificar a influência da epigalocatequina na inibição da adipogênese, com a incubação de pré-adipócitos e adipócitos maduros por diferentes tempos e concentrações, trouxe resultados positivos, mostrando que esse composto foi capaz de inibir o processo de acúmulo de tecido adiposo e promover a apoptose de células adiposas maduras, podendo ser um importante coadjuvante no tratamento da obesidade. 

REFERÊNCIAS

BELTRAN, C. et al. Os benefícios do chá verde no metabolismo dá gordura corporal. Revista Científica da FHO|UNIARARAS, v. 2, n. 1, p. 41-49, 2014.

FIRMINO, L;. MIRANDA, M. Polifenóis totais e flavonoides em amostras de chá verde (Camellia sinensis L.) de diferentes marcas comercializadas na cidade de Salvador-BA. Rev. Bras. Pl. Med., Campinas, v.17, n.3, p.436-443, 2015.

KALLUF, L. Fitoterapia Funcional: Dos princípios Ativos à Prescrição de Fitoterápicos. 2 ed. São Paulo: AçãoSet, 2015.

LIN, J.; DELLA-FERA, M.A.; BAILE, C.A. Green tea polyphenol epigallocatequin gallate inhibits adipogenesis and induces apoptosis in 3T3-L1 adipocytes. Obes Res., v. 13, n. 6, p. 982-90, 2005.

MOUSAVI, A. Os efeitos do consumo de chá verde nos índices metabólico e antropométrico em pacientes com diabetes tipo 2. J Res Med Sci., v. 18, n. 12, p. 1080-1086, dez. 2013.