Em razão da crescente necessidade de alimentos com maior praticidade de consumo e durabilidade, houve uma grande modificação nos hábitos alimentares da maioria das pessoas, com expressiva substituição de produtos in natura por industrializados. Tal fator, todavia, tem gerado preocupações e questionamentos quanto à segurança da utilização de aditivos alimentares, bem como seu impacto na saúde.

A indústria alimentícia, de modo geral, utiliza os aditivos químicos com a finalidade de conservar, acentuar sabores e dar coloração, e eles são divididos em diferentes categorias. Diversos estudos apontam reações adversas a esses químicos, seja aguda ou crônica, tais como reações tóxicas no metabolismo desencadeante de alergias, alterações no comportamento, e, em longo prazo, carcinogenicidade. Destaca-se, principalmente, os efeitos provocados à saúde infantil, ressaltando que as crianças apresentam maior suscetibilidade às essas reações adversas, especialmente, no tocante aos processos alérgicos.

De acordo com a FAO/WHO, não devem ser empregados aditivos intencionais em alimentos designados a crianças menores de um ano, como rege o Codex Alimentarius. Entretanto diversos produtos existentes no mercado, tanto para população infantil, incluindo lactentes, como para os adultos, são ricos nesses componentes, tornando os indivíduos que os consomem mais vulneráveis ao desencadeamento de processos alérgicos.

Nos últimos tempos, inúmeras pesquisas científicas avaliaram a relação do transtorno de deficit de atenção e hiperatividade com o consumo exacerbado de aditivos alimentares. Um estudo mostrou o papel dos corantes e conservadores artificiais no aparecimento desse tipo de deficit cognitivo, que, após uma dieta de exclusão, demonstrou resposta benéfica mais significativa do que em crianças atópicas. Entre os corantes considerados responsáveis por tais alterações, destacam-se a tartrazina, o caramelo amoniacal e o amaranto como os mais influenciadores.

As neoplasias malignas representam um grave problema de saúde pública. Estudos epidemiológicos têm apontado a relação entre a exposição prolongada a determinadas substâncias (nitratos e outros aditivos), encontradas na alimentação contemporânea, principalmente, no desenvolvimento de determinados tipos de câncer, como de estômago, esôfago, cólon e mama.

Do ponto de vista nutricional, cabe aos profissionais orientarem preferencialmente a escolha de alimentos e bebidas livres dessas substâncias deletérias à saúde com o intuito de prevenir as alterações observadas, e buscar o equilíbrio.

REFERÊNCIAS

CONTE, F. Efeitos do consumo de aditivos químicos alimentares na saúde humana. Rev. Espa. Acad., n.181, p. 69-81, jun. 2016.
HONORATO, T. C. et al. Aditivos Alimentares: Aplicações e Toxicologia. Rev Verde, v. 8, p. 1-11, 2013.
MARTYN, D.M. et al. Food Additives and Preschool Children. Proc Nutr Soc., v. 72, p. 109-16, 2013.
POLONIO, M.L.T.; PERES, F. Consumo de aditivos alimentares e efeitos à saúde: desafios para a saúde pública brasileira. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n. 8, p. 1653-1666, Aug. 2009.
SÁ, P. et al. Uso abusivo de aditivos alimentares e transtornos de comportamento: há uma relação? International Journal of Nutrology, v.9, n.2, p. 209-215, Mai/Ago. 2016.
TANAKA, T. Reproductive and neurobehavioural toxicity study of tartrazine administered to mice in the diet. Food Chem Toxicol., v. 44, p. 179-87, 2006.